CoLaTTe - CoLaboratório TerraTerritório
Coordenação: Emília Pietrafesa de Godoi (Dep. de Antropologia)
Sobre o laboratório:
A filosofia e a política do Colaboratório TerraTerritório/CoLaTTe se sustentam em práticas colaborativas de pesquisa e produção de conhecimento, seja com outros laboratórios e grupos de pesquisa, seja com atores sociais individuais e coletivos extra-acadêmicos. O Colaboratório nasce da interlocução entre pesquisadoras e pesquisadores do Centro de Estudos Rurais (CERES), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Co-Laboratório de Antropologia Rural e da Resistência (Co-La-RR), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), do Laboratório de Estudo sobre Tradições (LETRA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e do Instituto Mulheres e Economia (IMUÊ). Os membros permanentes deste Colaboratório se reuniam virtualmente durante a pandemia da Covid19 para dar apoio uns aos outros para continuarem seus trabalhos e destes encontros nasce o CoLaTTe em 2021.
O CoLaTTe se constitui como um lugar de reflexão sobre a produção de conhecimento envolvendo temas como terra e territorialidades; memória e historicidades; gênero e conhecimento; técnica, tecnologia e conhecimento. Atualmente o Colaboratório abriga o projeto coletivo “Territórios sociobiodiversos no Maranhão e Pará: Ambiente, conhecimento e sustentabilidade”, apoiado FAPESP/FAPESPA/FAPEMA.
O projeto em desenvolvimento tem como loci empíricos da pesquisa, comunidades do Parque Nacional Chapada das Mesas, no Maranhão, e do Sítio RAMSAR na Baixada Maranhense e, no Pará, as comunidades que estão situadas no Baixo Tapajós, próximas e no interior da Floresta Nacional do Tapajós, no município de Belterra, e no Planalto santareno, no município de Mojuí dos Campos. São contextos de pressão sobre territórios tradicionais e aos sistemas locais de manejo da biodiversidade. A cadeia produtiva de grãos de soja tem provocado pressões e ameaças à manutenção da floresta em pé e às populações tradicionais que dela vivem.
Também temos como interlocutoras/es coletivos como o comitê de mulheres do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santarém, a Associação das mulheres trabalhadoras rurais de Belterra - Amabela, a Associação de mulheres de Mojuí dos Campos, Flores do Campo. Os saberes e práticas com capacidade de criar e manter a sociobiodiversidade e de valorizá-la precisam ser estudadas, para entendermos qual é o papel das formas de relacionamento com a biodiversidade elaboradas por essas populações ao longo de suas trajetórias, que permitem a manutenção da biodiversidade.
Nosso trabalho envolve vários campos do conhecimento científico e é também colaborativo entre distintos regimes de conhecimento – regimes tradicionais de ribeirinhos e comunidades agroextrativistas e o acadêmico. Podemos sintetizar dizendo que o projeto tem como problema central de investigação as práticas e saberes em relação à terra, à floresta, aos lagos e rios que conferem às comunidades e coletivos dos três contextos propostos para a pesquisa, a capacidade de “criar e manter” a sociobiodiversidade e de valorizá-la. Quais os manejos que se concretizam na existência de variedades e espécies? Que respostas são (serão) encontradas para as demandas domésticas, para as inserções econômicas, em escala regional e para além da região, dos produtos oriundos desses manejos? Como confrontam, e se confrontam, os modelos exógenos de desenvolvimento, como o agronegócio da soja e a pecuária? Que vocações (produtos locais, atualização de práticas tradicionais, turismo de base comunitária e outras) encontram para a fazer face aos modelos que não os consideram em seus projetos econômicos? Quais experiências de restauração ambiental podem ser implementadas na região do avanço de desmatamento em parceria com as comunidades locais? Esta proposta pretende colaborar para a recuperação ecossistêmica e geração de renda para as comunidades locais.
Projetos em andamento:
Projeto Coletivo: Territórios sociobiodiversos no Maranhão e Pará: Ambiente, conhecimento e sustentabilidade - Chamada Iniciativa Amazônia +10, apoio FAPESP/FAPESPA/FAPEMA.
Bolsas de Pós-doutorado pelo CERES e Depto. de Antropologia supervisionadas por Emília Pietrafesa de Godoi:
Ana de Francesco, "Sistemas locais de produção de sociobiodiversidade e estratégias de enfrentamento à homogeneização das paisagens". Bolsista Fapesp
Edimilson Rodrigues, "Interações e relações afroindígenas: rituais e práticas musicais como forma de ação política na Volta Grande do Xingu", Brasil.
Diego Amoedo Martínez, "Do sistema da terra-território à sociobiodiversidade".
Destaques do laboratório:
Workshop Sociobiodiversidade na Amazônia: desafios e trocas de experiência: Experiências com turismo de base comunitária – Floresta Nacional do Tapajós/Pará com apoio do King’s College (UK), realizado no âmbito do projeto coletivo "Territórios sociobiodiversos no Maranhão e Pará: Ambiente, conhecimento e sustentabilidade", em julho de 2024.
Seminário com o pesquisador visitante Xerardo Pereiro (UTAD, Vila Real, Portugal), Experiências de Turismo de Base Local e Comunitária: Do turismo sustentável ao turismo responsável e regenerativo, ocorrido no IFCH/Unicamp e realizado no âmbito do projeto coletivo "Territórios sociobiodiversos no Maranhão e Pará: Ambiente, conhecimento e sustentabilidade", em agosto de 2024.
Seminário "A Sociobiodiversidade nos Sistemas Terra-Território e os Quintais Florestas", IFCH, Unicamp em outubro de 2025.
Seminário: "Territórios Sociobiodiversos. Encontro dos Saberes", realizado em Alter do Chão, Pará, com a participação de moradores e moradoras das comunidades locais junto às quais a equipe do projeto "Territórios sociobiodiversos no Maranhão e Pará: Ambiente, conhecimento e sustentabilidade" trabalha. O seminário foi realizado em novembro de novembro de 2025.
Conheça:
Instagram: @projeto.tsociobiodiversos