Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais, Ameríndios e Afro-americanos (LaPPAA).
Coordenação: José Maurício Paiva Andion Arruti (Dep. de Antropologia)
Registro CNPq: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4652389105394746
Sobre o laboratório:
O Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais, Ameríndios e Afro-americanos (LaPPAA) desenvolve pesquisas acadêmicas, trabalhos técnicos e de assessoria e estratégias de difusão científica, com foco nos povos tradicionais, quilombolas e indígenas. Tendo por base a convergência entre docência, pesquisa e extensão, reúne estudantes, pesquisadores e agentes sociais interessados em uma concepção de ciência marcada por duas características fundamentais: ser uma ciência produzida com, e não sobre, povos tradicionais, quilombolas e indígenas; e ser uma ciência comprometida com os ideais de uma sociedade democrática, plural e justa.
Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq com o nome “Territórios e populações tradicionais: reconhecimento, acesso à justiça e à educação de povos indígenas e quilombolas”, está organizado pelas seguintes linhas de pesquisa:
- Acesso à Justiça: racial, ambiental e de transição:
Investiga a atuação dos órgãos do Sistema de Justiça no acesso dos povos e comunidades tradicionais aos seus direitos constitucionais, à resolução de conflitos e à reparação histórica ou ambiental por danos produzidos pelo regime autoritário ou por decisões vinculadas ao racismo estrutural ou ambiental. Por outro lado, investigar também as experiências, trajetórias e iniciativas dos próprios povos e comunidades tradicionais na construção de formas alternativas de justiça reparativa, territorial, ambiental, racial ou epistêmica.
- Educação Escolar e Ações Afirmativas para indígenas e quilombolas:
Investiga políticas públicas, práticas pedagógicas e experiências formativas que envolvem povos indígenas e comunidades quilombolas, abrangendo desde processos comunitários de educação política até dinâmicas da escola básica, formação docente e acesso, permanência e sucesso na educação superior. Analisa os modos pelos quais etnosaberes, territorialidades e projetos próprios de futuro informam concepções de educação, produzindo arranjos locais, regionais e institucionais singulares. Busca compreender as perspectivas e protagonismos desses sujeitos, examinando como constroem propostas curriculares, práticas de gestão, iniciativas de ação afirmativa e estratégias de articulação interinstitucional. A linha dedica-se a registrar configurações territoriais e pedagógicas específicas, desenvolver estudos de caso e produzir análises que subsidiem processos de formulação, avaliação e fortalecimento de políticas educacionais para povos indígenas e quilombolas.
- Comunidades quilombolas: organizações e perfis regionais:
Investiga as configurações sociais, políticas, territoriais e históricas das comunidades quilombolas no Brasil e de outros grupos afrolatinoamericanos tradicionais, articulando análise comparativa, produção de dados e diálogo direto com sujeitos coletivos. Dedica-se à leitura crítica de bases oficiais — especialmente Censos Demográficos e registros administrativos —, à descrição de perfis regionais, à caracterização dos modos de organização comunitária e à compreensão de seus agenciamentos acadêmicos, patrimoniais, jurídicos e políticos. Desenvolve pesquisas qualitativas e quantitativas que monitoram a situação dessas comunidades, avaliando políticas públicas, condições de acesso a direitos e trajetórias de incidência institucional. A linha também se volta à produção de um Banco de História Oral sobre o movimento quilombola e seus protagonistas, bem como ao estudo das condições de acesso às arenas estatais de reivindicação. Orientada pela noção de letramento quilombola, busca integrar rigor acadêmico e comunicação acessível, fortalecendo processos de memória, educação e atuação pública que contribuam para a garantia de direitos e a valorização das organizações afroamericanas tradicionais.
- Território e mobilidade: demografia, configurações e urbanidades:
Aborda as presenças indígenas e quilombolas em contextos urbanos e metropolitanos, articulando diferentes escalas analíticas. Com base em uma revisão permanente da bibliografia teórica, demográfica e etnológica sobre mobilidade, territorialidade e modos tradicionais de ocupação, pretende avançar no exame das categorias classificatórias, assim como dos dados oficiais e das políticas públicas produzidos com base nelas (censos, políticas públicas, cartografias e processos de regularização territorial), assim como na produção de pesquisas empíricas históricas e etnográficas. Tem foco nas migrações rurais-urbanas, nas dispersões e reterritorializações, assim como seus efeitos sobre as classificações estatais e sobre os processos de reconhecimento. No âmbito metropolitano, enfatiza-se a presença indígena e quilombola em cidades como Campinas e São Paulo, incluindo sua inserção em universidades.
Projetos em andamento:
Projetos de pesquisa:
- Indígenas e quilombolas no Ensino Superior: Análise das políticas de acesso e permanência das instituições públicas
Este projeto objetiva mapear e analisar as iniciativas já desenvolvidas pelas Instituições de Ensino Superior, na ausência de uma diretriz nacional que as regulamente para além do que faz a Lei de Cotas, assim como trazer insumos para a avaliação e eventual remodelagem de programas públicos que regulam o ingresso ao Ensino Superior público, como o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que realiza uma seleção de caráter nacional com base nos resultados do ENEM, e políticas de assistência estudantil, como o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e o Programa Bolsa Permanência (PBP). Essas políticas estão sob a responsabilidade da Secretaria de Ensino Superior (SESU), do Ministério da Educação, instituição parceira do projeto. Os procedimentos de pesquisa previstos incluem: análise de bases de dados existentes, elaboração de banco de dados a partir da leitura de editais das universidades e produção de dados de cunho qualitativo, provenientes de etnografias. Esperamos, assim, produzir uma análise detalhada das iniciativas de AA para indígenas e quilombolas, mapeando sua extensão e variedade. Os dados da pesquisa incluem dados quantitativos disponíveis no INEP e na SESU, dados documentais a serem levantados nas instituições de Ensino Superior (IES), e dados etnográficos produzidos tanto sobre a experiência e trajetórias de estudantes indígenas e quilombolas, quanto sobre os efeitos da sua presença nas estruturas e ambientes universitários. A combinação desses elementos permitirá avanços científicos na compreensão global de diferentes aspectos da presença indígena e quilombola nas IES, que devem informar os processos de avaliação e aprimoramento das políticas públicas relacionadas, tornando-as mais efetivas no combate a desigualdades.
- Quilombola communities in Brazil: between the institutionalization of rights and the violation of bodies, lands and heritage
Quilombos are territories where material contradictions linked to land ownership, racial and ethnic issues converge. From this confluence of contradictions that are synthesized in the territory and conflicts arise with the State, with armed groups of landowners. This context is quite complex, it involves alliances between actors from civil society and the State, against not only physical coercion, but also structural violence (economic, material and symbolic). On the other hand, there are communities and political and legal achievements that deserve to be highlighted. The development of community practices that involve collective participation in decision-making, the development of knowledge about the nature and practices in the area of health, among others, such as educational and economic development. To explore the fields of this complex scenario that involves the quilombola issue in Brazil today, this project proposes an in-depth examination, through three small studies on the quilombola situation in Brazil. A synthesis of the legal and institutional development of this recognition policy and the public policies derived from it, with the construction of an interactive and dynamic diagram for a website. A comparative study of two communities that faced the process of political mobilization, recognition, access to public policies and land regularization in different and even opposing ways. A case study of a massacre involving quilombola political leaders.
- Fluxos indígenas entre sertão e metrópole: Estudo sobre território e população, cosmopolítica e mobilidade pankararu
Este projeto tem como objetivo geral aprofundar o conhecimento nas áreas da Etnologia e da História Indígena e do Indigenismo, consolidando hipóteses e avançando na investigação teórica sobre o fenômeno, de importância continental, da migração ou mobilidade indígena para as grandes cidades e as transformações cosmológicas, organizacionais e identitárias nele implicadas. Por meio do apoio do CNPq, buscamos avançar na análise de dados e hipóteses que vimos desenvolvendo nos últimos cinco anos, que nos permitem uma reflexão que se situa em uma área de liminaridade da disciplina antropológica em diferentes dimensões: empírica, disciplinar e interdisciplinar. Empírica, porque o recorte empírico deste largo campo etnográfico inclui os territórios, populações e fluxos de objetos e de pessoas humanas e não humanas compreendidos, de um lado, pelas Terras Indígenas ocupadas pelo Tronco Velho e pelas Pontas de Rama Pankararu nos sertões de Pernambuco, Alagoas e Bahia e, de outro lado, pelos bairros populares da Região Metropolitana de São Paulo. Disciplinar porque, em função de tal recorte, nosso trabalho se situa também no limiar entre a etnologia indígena se encontra com a antropologia urbana. E, finalmente, porque estamos mobilizando nesta análise uma metodologia mista, baseada na interdiciplinaridade com a História e a Demografia, articulando etnografia, história de vida/de famílias, assim como a realização de um survey com universitários indígenas e um censo demográfico participativo.
Projetos de Extensão:
- Migração e territorialização pankararu: Registros étnico-participativos das famílias pankararu em deslocamento entre a Terra Indígena Pankararu (PE) e Mogi Mirim (SP)
Este projeto responde a uma demanda das famílias pankararu residentes no município de Mogi Mirim, por reconhecimento público, acesso à terra e demais políticas públicas diferenciadas a que têm direito. Ele tem por base uma pesquisa de longo prazo, que vem sendo desenvolvida por meio de uma sucessão de projetos parciais (projeto CNPq Mcti, 2012-2017; projeto NEPO / FAPESP, 2014-2018; projeto CNPq Produtividade, 2018-2020; projeto COMVEST/PRG/PRP, 2020-2021; projeto FAPESP-PPPP, 2024 e 2026). Trata-se de um projeto de pesquisa articulado à formação discente e à extensão, por meio de uma proposta de co-produção do conhecimento, que envolve o coletivo indígena, tendo em visa produzir diferentes formas de registro da presença e da história das famílias pankararu residentes em Mogi-Mirim: um recenseamento étnico-participativo; um Vídeo-documentário média-metragem; e um caderno de histórias de famílias.
- Panorama Quilombola
O projeto dedica-se a monitorar a situação das comunidades quilombolas e das políticas públicas destinadas a elas, por meio da produção de dados qualitativos e quantitativos, assim como por meio de estudos de caso ou estudos temáticos aprofundados. Nossa ênfase está no desafio de aliar o rigor acadêmico à produção e comunicação em linguagem de fácil acesso, baseada no diálogo direto com o movimento e comunidades quilombolas. A noção de letramento quilombola, derivada de letramento racial, orienta nossas ações de mediação com diferentes segmentos da sociedade e da universidade. O projeto está organizado pelos eixos: Acesso à Direitos, Educação e Memória.
- Cartórios e memória afro-brasileira - iniciativa piloto de digitalização do acervo histórico do Cartório de Iporanga, Vale do Ribeira paulista (1834-1889)
O projeto é uma ação de socorro ao acervo histórico da Serventia Extrajudicial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelionato de Notas do Município de Iporanga, que já teve parte do seu acervo perdido em função do mau acondicionamento e da ocorrência de chuvas. Formado por 11 livros de registros com escrituras de compra e venda, escrituras de doação, cartas de alforria entre outros, realizados entre os anos de 1833 e 1889, a ação proposta consiste na digitalização total dos livros e transcrição paleográfica dos seus registros, para disponibilização digital de livre acesso dos seus dados. Cadastrado e identificado junto à EXTECULT com no. 298, aprovado pela Comissão de Extensão do IFCH em 2025-12-03, é realizado pela parceria entre o Laboratório de Pesquisa e Extensão com Povos Tradicionais Ameríndios e Afro-americanos (LaPPAA-CERES), o Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (CECULT), o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), e o Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (AFRO-CEBRAP). O projeto consiste em uma ação integrada interdisciplinar e interinstitucional de preservação, pesquisa e extensão, articulando universidade, centros de pesquisa, instituições arquivísticas e o sistema de justiça. Conjugando salvaguarda documental, produção de conhecimento e ações de formação, o projeto pretende constituir um modelo replicável de política de memória voltada aos acervos cartoriais e à história afro-brasileira, contribuindo para o direito à memória, à informação e à reparação histórica.
Destaques do laboratório:
As atividades do grupo de pesquisa realizadas por meio da parceria entre o LaPPAA e o núcleo AFRO-CEBRAP tiveram seus impactos reconhecidos pelo Prêmio PROEC de Extensão Universitária e a Menção Honrosa ao Projeto Panorama Quilombola no II Prêmio ANPOCS de Extensão Universitária, ambos em 2023. Publicação dos livros “Panorama Quilombola” (2022) e “Educação Escolar Quilombola: um balanço das diretrizes curriculares nacionais” (2026). Os conteúdos e problemáticas abordadas nos Boletins PQ deram origem a cursos de extensão e formação continuada para professores e de escolas quilombolas. Os projetos Panorama Quilombola, Quilombos e Acesso à Justiça e Indígenas e Quilombolas no Ensino Superior (FAPESP), resultaram em artigos acadêmicos e artigos de jornais de grande circulação (em especial Nexo Políticas Públicas). Confira em: https://etnico.wordpress.com/
Conheça:
Instagram: @lappaa.unicamp
Blog: https://etnico.wordpress.com/
Panorama Quilombola: https://www.afrocebrap.org.br/projetos/panorama-quilombola/